A demissão é um momento desafiador e, muitas vezes, um imprevisto. Além das questões financeiras e emocionais, surge uma dúvida crucial: e o plano de saúde?
Será que, após a demissão, você pode continuar no mesmo plano de saúde que tinha com a empresa? Se você está se perguntando sobre isso, você não está sozinho.
A boa notícia é que a resposta pode ser positiva, graças à legislação que protege os seus direitos. Vamos explorar como a Lei nº 9.656/98 pode ajudar você a manter seu plano de saúde mesmo depois de deixar o emprego.
O funcionário que possui plano de saúde fornecido pela empresa em caso de demissão sem justa causa tem o direito de permanecer no plano de saúde mesmo após o desligamento.
Esse Direito está estabelecido no Artigo 30 da Lei n. º 9.656/98, Lei dos Planos de Saúde, estando estabelecido também na Resolução Normativa nº488/2022 da ANS.
Embora esse direito esteja estabelecido em lei, a maioria dos funcionários não têm conhecimento e não são informados no momento da demissão.
Entretanto, existem algumas regras que precisam ser seguidas para que você tenha esse direito:
? DEMITIDO OU EXONERADO SEM JUSTA CAUSA
O direito de permanência é válido apenas para demitidos sem justa causa.
Se houver o pedido de demissão pelo funcionário (demissão voluntária) ou a demissão for por justa causa, o ex-funcionário não terá o direito de permanência.
? FUNCIONÁRIO CONTRIBUÍA COM O PLANO DE SAÚDE
É necessário que o ex-funcionário contribua com parte da mensalidade no período em que trabalhava na empresa, através do desconto em folha de pagamento. Entretanto, se a empresa arcava com a mensalidade na totalidade, esse ex-funcionário não terá direito a manutenção do plano de saúde.
Esse pedido deverá ser formalizado em até 30 dias após a demissão, diretamente a empresa e a Operadora de Plano de saúde.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
? Importante informar que após o desligamento, haverá um prazo pelo qual o ex-funcionário poderá permanecer no plano de saúde que será de um terço do tempo em que permaneceu na empresa, mas limitado ao prazo mínimo de 06 meses e máximo de 02 anos.
? O direito a manutenção do plano de saúde se estenderá aos dependentes do ex-funcionário, conforme estava anteriormente a demissão.
? Além disso, importante informar que o ex-funcionário arcará com 100% do valor da mensalidade, inclusive dos dependentes.
Mesmo diante todas essas regras, condições, é possível a extinção do direito de permanência, conforme estipulado pelo art. 26 da Resolução 488/2022 da ANS:
? Decurso do prazo previsto de mínimo de 06 meses e máximo de 02 anos;
? Admissão do ex-funcionário em novo emprego que ofereça um plano de saúde;
? Cancelamento do plano privado de assistência à saúde pelo empregador que concede este benefício a seus empregados ativos e ex-empregados.
A manutenção do plano de saúde empresarial após a demissão é um direito previsto por lei, entretanto, ainda é um direito desconhecido por muitos, inclusive porque a maioria das empresas não informam sobre esse direito no momento da demissão.
Caso o seu direito não seja respeitado, procure um advogado especialista para resolução dessa situação.